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A Cultura do exagero



A temática do excesso e desperdício é um assunto atemporal e vem se tornando mais robustos a medida que os anos passam. Zygmunt bauman (2008), sociólogo polonês, dizia que “a economia consumista tem de se basear no excesso e no desperdício”; Lefenvre (2001) também dialoga com essa questão refletindo sobre a problemática urbana a partir da consolidação do modo de produção capitalista e da industrialização. O tema vem sendo abordado inclusive em algumas produções cinematográficas que apropriaram-se da idéia para propor reflexões aos seus espectadores. Dentre as produções relevantes podemos citar o curta “Next floor” do diretor Denis Villeneuve e, mais recentemente, o filme “ O poço” do diretor Galder Gaztelu-Urrutia. As duas produções tratam de temas como cultura do desperdício, egoísmo, excesso para poucos e, para muitos, escassez.


Um dos principais pensadores contemporâneos Yuval Noah Harari (2019) expressa em seu livro “ Sapiens – Uma breve história da humanidade” como o início da agricultura revolucionou o modo que nossa espécie se relaciona com o meio, foi um marco que estabeleceu a transição do estilo nômade para hábitos consolidados em um espaço único. A prática da agricultura possibilitou maior possibilidade de sobrevivência ao homo sapiens e se perdurou até os dias atuais. Havia, em um passado recente, o protagonismo da atividade agrícola familiar, contudo, com a Revolução Verde na Déc. de 80, originou-se a agricultura patronal com o incremento da indústria e seu maquinário, com isso a produção de alimentos deu um salto - superando inclusive as nossas necessidades, no entanto, os dados que chamam a atenção é que ainda assim, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 820 milhões de pessoas em todo o mundo não tiveram acesso suficiente a alimentos em 2018, sendo que 3,4 milhões são brasileiras. Com uma projeção de aumento de 3 milhoes a cada ano.


Há inúmeras práticas que sustentam e mantém a demasia de desperdício e não só, como também, garantem sua contribuição ao paradoxo do superávit alimentar vs milhões de famintos.

Os eventos que compõem essa operação de desaproveitamento dos alimentos são principiados pela cultura da “Sociedade de consumo” , termo esse intensificado em 1910, máxima que convenceu a população que a felicidade era, não só atrelada, mas dependente do consumo.

O desperdício alimentar não é um problema que vigora de acordo com a extensão territorial, não é exclusivo de grandes centros e metrópoles, ele transcende esses aspectos físicos, palpáveis e se instala nos costumes, nos hábitos das pessoas, desde o grande empresário ao consumidor final.

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